Google+ Um Brasil despreparado para o que vem com a ‘Copa’? – REVISTA DE NEGÓCIOS CADECOM
Publicado em: qua, abr 23rd, 2014


Um Brasil despreparado para o que vem com a ‘Copa’?

Share This
Tags

charge-a-porca-BrasilO Brasil tem sido um país caracterizado tanto por sua grande e potente economia como pela alegria da sua população, mas agora que a Copa do Mundo se aproxima, o futuro vem se tornando alarmante e tenso. O povo Brasileiro que até recentemente estava feliz e orgulhoso de serem os anfitriões da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016, tem mudado sua postura bastante. Nos últimos quatro meses, essa mudança de postura do povo Brasileiro, que sempre tem tido uma aparência contente, mudou e, recentemente muitos brasileiros perceberam que “Éramos infelizes felizes e não sabíamos”, como afirma um dos slogans proeminentes de hoje.

nao_quero_copa_cartazAtualmente, o Brasil vive um nova época política com várias manifestações envolvendo milhares de pessoas. Isso tem causado uma mudança na imagem do Brasil, mostrando o descontentamento por causa da situação econômica, os problemas sociais, e principalmente a injustiça existente no país. Hoje em dia há uma consciência generalizada dos vários problemas e a percepção de que prejudicam a população: famílias mais endividadas, os gastos públicos aumentando cada dia mais, falta de serviços adequados em várias áreas sociais, etc.  Embora esses problemas não eram aparentes para todos, já existiam, o fato novo é que os Brasileiros – tanto os da classe média clássica (que está saindo para o exterior bem mais do que antes) e a nova classe média que tem saído da pobreza, perderam o medo de protestar. As manifestações mais recentes não têm sido tão violentas ou grandes como as primeiras (algumas das quais aconteceram durante a Copa Confederações no fim de junho), mas apesar de que estas manifestações não têm se repetido os números, mesmo assim elas têm tido um impacto forte.

Os protestos começaram em junho principalmente em oposição a um aumento nos preços do sistema de transporte público já deficiente em São Paulo; não obstante, rapidamente se tornaram em um movimento nacional contra os elevados impostos, a corrupção rampante no governo e os gastos astronômicos para a Copa do Mundo em vez de outras necessidades das quais a população brasileira precisa.  Agora, com tanto a Copa do Mundo quanto as eleições nacionais no horizonte, mais incertezas do que nunca antes existem entre uma população brasileira uma vez pacífica e confidente.

– – – – – – – – – – – – – –

Os gastos associados com a Copa do Mundo já se tornaram muito polêmicos com a população geral e os manifestantes. Os protestos durante a Copa das Confederações que ocorreu em Junho, demonstrou o descontentamento da população. Muitos Brasileiros culpam os gastos relacionados a Copa com a falta de serviços públicos adequados. Isso pode ser visto em alguns slogans encontrados em cartazes durante as manifestações, como: “Menos Copa do Mundo, mais saúde e educação” e “A Copa de quem?”.

Em uma das últimas manifestações no Rio de Janeiro, quando o secretário geral da FIFA (Jerome Valcke) esteve no Brasil para inspecionar as cidades anfitriãs, vários danos foram feitos na cidade pelos manifestantes que criticavam a Copa, incluindo pichação dizendo “Para o inferno com a Copa”.  Segundo Anita Kon, uma professora de Economia da Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), apesar de que as manifestações foram iniciadas por um grupo de descontentes em São Paulo em relação ao aumento da tarifa de ônibus de R$3 à R$3,20, as manifestações estão mais nacionalizadas, e atualmente a luta agora tem mais a ver com a falta de serviços públicos como saúde, transporte, segurança, educação, e a falta de punição contra a corrupção.

Estas manifestações, especialmente depois das que aconteceram durante a Copa das Confederações, resultaram em preocupações com respeito a uma possível falta de segurança durante a competição do ano que vem.  Mesmo que críticos da preparação do Brasil deram a ideia de mudar a Mundial para os EUA se não for possível ter a Copa no Brasil, até o presente não parece que isso vai ser necessário. A rápida resposta do governo aos protestos e finalmente progresso na conclusão dos trabalhos para a Copa, mostram que o Brasil está a caminho de concluir os projetos até o fim do ano, um dos requisitos da FIFA. A oposição nacional para a Copa do Mundo tem sido tão forte que o famoso craque brasileiro Ronaldo comentou novamente sobre o assunto polêmico. “Temos que lutar para os nossos direitos,” disse Ronaldo “Mas você não pode misturar as duas coisas.  O povo brasileiro se beneficiará da Copa do Mundo.”

manifestações

Estes comentários se tornaram tão polêmicos que Ronaldo, pelas redes sociais, teve que se defender e justificar a sua opinião dizendo “A copa é uma incrível oportunidade para o Brasil.  Chance de atrair atenção, investimento, turismo e mais mil coisas.  Mas isso não obriga a deixar de investir em questões sócias prioritárias como saúde, educação, transporte, segurança.”  Embora várias demandas do povo já tenham sido cumpridas pelo governo, ainda falta atenção a muitas exigências dos manifestantes, e por isso parece que as manifestações vão continuar, possivelmente até durante a competição de 2014.

Este relato de um Brasil mudando socialmente no contexto da Copa do Mundo e as eleições presidenciais pouco depois, é muito interessante e importante para o futuro do país.  Por esta razão, se o Mundial acontecer no Brasil durante o verão que vem, como parece que vai acontecer, será digna de assistir tanto para a diversão futebolista quanto para as implicações sociais e políticas.  Embora os organizadores da Copa continuem dizendo que não haverá problema, ainda existe uma alta probabilidade de que haverá novos protestos durante a competição.

Fora do contexto do futebol e da Copa do Mundo, também será muito interessante observar as eleições nacionais no próximo outubro especialmente se este descontentamento da população continuar.  Dependente de como as coisas continuarem à respeito as demandas do povo, pode ser que a presidente atual – Dilma Rousseff – perca a eleição a favor da união do movimento ambientalista de Marina Silva e do Partido Socialista do Brasil de Eduardo Campos.  Esta união entre Silva e Campos foi quase tão inesperada quanto os protestos de junho, esta nova frente política une duas formações progressistas com os líderes de esquerda – e propõe uma ‘substituição’ política depois 14 anos de governo do Partido dos Trabalhadores (PT).  Silva e Campos, com o slogan “uma ‘forma nova’ de fazer política” e mais conectados com as demandas de base no país, prometem acabar a corrupção e focalizar mais nos interesses e nas necessidades do povo brasileiro que agora quer participar na gestão do poder.

Ainda não se sabe se esta terceira opção vai atrair os votos da população no próximo outono, mas o que é seguro é que tudo vai depender do progresso do governo de Rousseff neste próximo ano (antes, durante e depois da Copa do Mundo).  Neste contexto de incerteza e mudanças, talvez a única coisa que se sabe é que muito vai ser decidido no próximo ano e meio, e sem dúvida tudo isto é ligado com o maior palco do futebol mundial – a Copa do Mundo.  Embora seja muito interesse ver como ‘a Seleção’ irá procura o seu sexto campeonato mundial como anfitriões da Copa do Mundo, também não devemos esquecer de olhar para as implicações no país além do esporte.

Sobre o Autor


Sobre Cadecom | Anuncie | Relações com Investidores | Segurança e privacidade | Sobre o Cadecom| Trabalhe no Cadecom Banda Larga | Pesquisa de preços | Música | Links patrocinados Comunicar erro nesta página Crimes virtuais: denuncie © 2008/09/10/11/12/13/14/15/16/17 - CADECOM - O melhor conteúdo. www.cadecom.com.br
Todos os direitos reservados. Política de privacidade e segurança